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Conflito na Faixa de Gaza entra na segunda semana e afasta possibilidade de paz na região

Conflito na Faixa de Gaza entra na segunda semana e afasta possibilidade de paz na região

Os conflitos na Faixa de Gaza já entram na segunda semana e a violação dos direitos humanos aumenta ainda mais a instabilidade política da região. A escalada de violência e a falta de canais diplomáticos que ofereçam espaço para conversas pacíficas intensifica a gravidade da situação.   

Segundo especialistas consultados pelo R7, uma trégua neste conflito que já dura décadas está longe de acontecer. Para o professor de Relações Internacionais da Puc de São Paulo, Reginaldo Nasser, em Gaza, as pequenas diferenças inflamam grandes confrontos.

— Quando ações singulares se transformam em coletivas, acontece uma guerra monstruosa. 

Desde 1967, a Faixa de Gaza, uma região proritariamente árabe, foi ocupada por Israel, que continua controlando todos os acessos terrestres, marítimos e aéreos no local.

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Como Israel não incorporou a região em seu próprio território, as disputas entre palestinos e israelenses terminaram em uma verdadeira crise humanitária. Para Nasser, uma "prisão a céu aberto".

O professor de Relações Internacionais das Faculdades Rio Branco e especialista em Oriente Médio, Guilherme Casarões, explica que os moradores da região da Faixa de Gaza vivem em um "regime de não cidadania".

— Naquelas regiões vivem grandes concentrações populacionais de pessoas que não tem, ou pelo menos não tinham, por muito tempo, um governo instituído, pouquíssimos recursos econômicos, uma geração de renda muito baixa e uma grande parte da população vivendo abaixo da linha da pobreza. 

A insatisfação de palestinos que vivem na Faixa de Gaza pareceu ser bem representada na insurgência do Hamas, um grupo considerado como terrorista pelos países do Ocidente, mas que age também como partido político dentro da Autoridade Palestina.

Depois de vencer nas últimas eleições o Fatah — outro partido político da Palestina —, o Hamas tomou o poder da Faixa de Gaza e desde então, ofensivas entre o grupo e as forças do Exército israelense são comuns. 

Países por de trás do conflito 

Um dos maiores impasses no confronto entre Israel e Palestina é o apoio de importantes países, o que compromete a neutralidade da comunidade internacional. Além de apoio político, esses países e organizações enviam dinheiro e armamentos para os combatentes e líderes.

Os Estados Unidos é um dos maiores aliados de Israel e oferece milhões de dólares em ajuda externa, além de armamentos sofisticados, o que garante que o Exército de Israel tenha um arsenal de alta tecnologia, inclusive drones. Nasser explica que a situação favorece Israel.

— Os Estados Unidos garantem que Israel haja sem respeito a nenhum princípio de ordem internacional. O único país que poderia frear Israel seria os Estados Unidos. 

Por outro lado, Casarões explica que o Hamas aparece cada vez mais isolado no cenário geopolítico. O grupo armado e partido político ganhou forças no apoio do elo formado entre Síria, Irã e o grupo terrorista e também partido político que age no sul do Líbano, o Hezbollah. O Egito também colaborava com o Hamas, mas essa situação já é bastante diferente.   

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Casarões diz que o apoio do Irã e do Egito foram comprometidos na mudança de presidentes. Depois da queda de Mahmoud Ahmadinejad e Mohamed Mursi, presidentes do Irã e Egito, que eram declaradamente contrários a Israel, os respectivos países deixaram de se envolver no conflito. Já a Síria, que passa por uma guerra civil há mais de três anos, deixou de financiar o Hamas porque o grupo declarou apoio aos rebeldes que lutam contra o governo ditatorial de Bashar al Assad. 

— O Hamas é muito próximo do Hezbollah, que é um grupo terrorista e partido político. Esses dois grupos tem uma relação muito intensa e são dois inimigos muito próximos [geograficamente] de Israel. O Hezbollah fica ao sul do Líbano, quase na fronteira com o norte de Israel e o Hamas age na Faixa de Gaza.      

Dificuldades no cessar-fogo 

Para os professores, as dificuldades no cessar-fogo entre Israel e Hamas acontecem por diferentes razões. De acordo com Nasser, o Hamas é desfavorecido em prováveis acordos de paz, que normalmente são organizados por países que apoiam o Estado de Israel. Mas Casarões ainda diz que é provável que a ação de grupos menores que atuam na Faixa de Gaza comprometam a paz.  

— O problema dentro da Faixa de Gaza é que não é só o Hamas, existem outros grupos como a Frente Popular de Libertação da Palestina, a Jihad Islâmica, a Brigada dos Mártires de Alá e grupos inferiores que recorrem ao terrorismo e não são obedientes ao Hamas.

E, apesar de o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, ter afirmado que o Estado de Israel está se defendendo de um radicalismo islâmico que conquista espaço no Oriente Médio, em uma clara referência ao grupo Estado Islâmico que domina regiões do Iraque, os dois professores acreditam que o conflito religioso não está em destaque na situação atual. 

Nasser explica que os conflitos acontecem por causa da disputa de terras, e não por causa de religião, e Casarões afirma que o problema também tem a ver com a fragmentação das lideranças palestinas na região.

* Bruna Vichi, estagiária do R7

http://http://noticias.r7.com/internacional/conflito-na-faixa-de-gaza-entra-na-segunda-semana-e-afasta-possibilidade-de-paz-na-regiao-21072014

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